segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Lacan, a Linguagem e o Real


(Episódio gravado em 23/03/2018)

O século XXI descobriu a importância da linguagem como condição e meio de produção de sujeitos, relações de poder, formas de ideologia e modalidades de desejo. Pela linguagem nos definimos e nos constituímos. Ao tomar a linguagem como figura maior da racionalidade e das trocas sociais, fomos levados a uma suspeita permanente sobre nossa apreensão da realidade. Esta inquietude e tensão entre o que é o real e a linguagem tornou-se questão fundamental na obra do psicanalista Jacques Lacan e é esse o tema de Christian Dunker neste programa.

"A gente quer dizer uma coisa, acaba dizendo outra. A gente começa uma frase, muda o pensamento no meio do caminho. A gente queria dizer algo e o outro entende algo completamente diferente. E recai sobre isso uma certa expectativa. Uma teoria geral de que se a gente se entendesse, se a gente reduzisse o ruído da comunicação, se a gente conseguisse usar a linguagem apropriadamente (...) muito do nosso conflito seria apaziguado. Bom, Lacan vai começar a sua revolução, a sua reinvenção da psicanálise, mostrando que isso não é bem verdade. (...) Uma grande virada na psicanálise começa com Lacan, quando ele diz 'Olha, o lugar do inconsciente é o lugar da linguagem'. (...) O inconsciente está aqui, não está num outro mundo.  (...) A relação que a gente tem com a linguagem está baseada no que a pouco experimentamos, que é o equívoco. Que é a limitação de nossos modos expressivos." 

(00:03:05 do vídeo e 00:01:41 do áudio)

"O consciente se estrutura como uma linguagem. Porque o inconsciente aparece ali onde a minha própria linguagem se mostra estranha. Ali no sonho, ali no ato falho, ali naquela brincadeira. Ali onde há um certo descompasso, o que parece? Um estranho que me habita. Um estranho que em geral eu nego. Não era isso que eu queria dizer, que eu intencionava (...) Nesse estranho fala uma verdade. Nesse estranho há uma espécie de revelação. Ele pede por ser escutado. E se a gente não escuta esse estranho, ele cobra a sua parte. Ele começa a falar não mais em sonhos, em pequenos deslizes, mas em sintomas, em formas agudas de sofrimento, em impasses que dominam e que limitam a nossa vida." 

(00:08:20 do áudio)

"O primeiro nível de alienação é esse no qual a nossa própria linguagem. (...) Num segundo tempo, a linguagem vai operar no interior daquilo que caracterizaria a essência do homem. (...) Para Lacan é uma essência feita por uma falta. Uma essência que é dada pelo que nós não temos. O nome disso que nós não temos, e que ao mesmo tempo nos governa, é desejo. O desejo humano é indissociável da linguagem. (...) Não é um desejo de objetos. O desejo humano, desejo de possir o desejo do outro. Loucura incurável. O que eu quero é que o outro queira. Que o outro queria o que? Que ele queira o que eu quero." 

(00:09:38 do áudio)



Completo em áudio aqui: 

sábado, 12 de julho de 2014

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

entre a segurança e a liberdade


"Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis [...] um é segurança e o outro é liberdade, você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. 
Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. [...] Cada vez que você tem mais segurança você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade você entrega parte da sua segurança."

__Sygmunt Baumann


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

diferenças

“It’s not the load that breaks you down, 
it’s the way you carry it.”

__Lou Holtz

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

X-ray Art


pelo físico Arie van't Riet, Holanda.


domingo, 15 de dezembro de 2013

I am

"I am profoundly enchanted 
by the flowing complexity in you."

_John Keats,
em carta para Fanny Brawne,
datada de 5 de novembro de 1820

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

sempre

ai, pai.
que saudades imensas de você.
sempre.

selvagens




louca para um dia ver cavalos selvagens de perto.

| fotos: pela canadense Irene Suchocki, em Camargue, França.

desse desdém

"Assim como Brooks (David Brooks), acredito que nossa cultura tem um relativo desdém pela mente inconsciente e tudo que ela representa – emoções, intuição, impulsos e sensibilidades. Para descobrir nosso propósito, temos que estar confortáveis com nossa mente não-lógica. Você deve se acostumar em não ter as respostas. Você deve tolerar a ambiguidade e aceitar as lutas. Deve se permitir sentir – profundamente sentir. Planejar intelectualmente seu caminho em direção a uma vida com propósito não funcionará nunca. Mas isso é pedir demais para a maioria das pessoas."

__Shelley Prevost


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

the mountain



em El Teide, a montanha mais alta da Espanha.
| por Terje Sorgjerd

No início do ano cheguei a esse vídeo e por muitas semanas voltei para rever. Especialmente o trecho da Via Láctea vista do deserto. A trilha usada na edição (Nuvelo Bianche) foi uma combinação um pouco mágica. Me levou a conhecer o trabalho do pianista italiano Ludovico Einaudi.

(Ps.: A trilha inicial foi trocada, mas conheça a Nuvelo Bianche aqui)



me apaixonei



que delícia de som.

o que me acontecia

"Eu estava habituada somente a transcender. Esperança para mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre, e me havia organizado depressa em pessoa porque é arriscado demais perder-se a forma. Mas vejo agora o que na verdade me acontecia: eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa (...)."


__Clarice
em "A paixão segundo G.H"

do que ainda não se sabe

"Temos que partir da premissa de que realmente 
não nos conhecemos muito bem."

__Ezra Bayda

witchcraft



Those fingers in my hair
That sly come hither stare
That strips my conscience bare
It's witchcraft.

(essa é sua, pai)

domingo, 8 de dezembro de 2013

we love, we hurt




Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown)

duende


"Em espanhol, duende não se refere apenas aqueles espíritos travessos que habitam as casas, mas, aponta sobretudo para um encanto interior difícil de explicar. Um poder misterioso que habita em nós e que transforma qualquer ação banal em uma aventura e faz o sangue correr mais rápido no corpo. 'Os grandes artistas do sul da Espanha, diz o poeta, sejam eles ciganos ou flamencos, quer eles cantem ou dancem ou toquem, sabem que não é possível nenhuma emoção sem a presença de duende.' Este duende de que fala Garcia Lorca não nasce de lugar nenhum fora de nós. Ele brota das nossas entranhas e colore de vermelho as nossas vidas apagadinhas. 'A chegada de duende pressupõe sempre uma mudança radical em todas as formas e derruba por terra os velhos hábitos'. Duende é pura paixão pela vida. O poeta continua: 'O duende ama as fronteiras, as feridas, e se aproxima dos lugares onde as formas se fundem em um anseio superior a suas expressões visíveis'."

__ Adília Belotti

sábado, 7 de dezembro de 2013

apenas acontece

"Um ato de amor é como ver uma pessoa que pegou no sono no sofá e, sem pensar, cobri-la com um cobertor. Não tem o pensamento “puxa, como sou uma boa pessoa” ou o desejo de se receber algo em troca. Só acontece."


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

em frente

"Nunca desencoraje alguém que continuamente faz progresso, 
não importa quão devagar." 

__Platão

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

manhãs


Delhi, India, por Sean Scanlon

"I need to check my notes on where this is from. I know it's from a tomb in Delhi. An old man roped us in to a guided tour of the tomb (actually, he just followed us around and told us about everything). He was insistent we see the patterns of light that appeared at the right time of day."

- Sean

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

o que o mundo precisa?

“Don’t ask what the world needs. 
Ask what makes you come alive and go do it. 
Because what this world needs are people 
who have come alive.” 

__Howard Thurman